Tattoos novas

Boatos de que eu perdi o controle e resolvi fazer 4 tatuagens em menos de 1 ano. Tá bom que nem é taaanto assim, mas espero não fazer mais posts sobre tatuagens esse ano hahah. O primeiro passo pra superar um vício é assumi-lo, né?

A primeira delas na verdade nem é nova, porque eu fiz em novembro, e em dezembro voltei para fazer umas modificações. Mas como eu ainda não tinha postado ela por aqui, resolvi acrescentar no post.

Eu fiquei bastante tempo tentando achar um desenho que me agradasse, e aí junto com o tatuador Gabriel Bilotta surgiu essa aí.

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O significado é um pouco óbvio, eu acho, mas muitas pessoas não devem saber que eu estudo Produção Editorial, que é um curso em Comunicação Social sobre produção de livros. Desde criança os livros estiveram muito presentes em minha vida, e me influenciam fortemente.

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A segunda é uma frase da música Northern Downpour, da minha banda preferida Panic! at the Disco.

O início da música diz:

If all our life is but a dream
Fantastic posing greed
Then we should feed our jewelry to the sea
For diamonds do appear to be
Just like broken glass to me

Como não rolava tatuar tudo isso, escolhi só “We should feed our jewelry to the sea“.

terceira tatuagem é uma homenagem ao meu hamster Ernesto. ❤
O desenho é inspirado na série de quadrinhos Os Pequenos Guardões, e adaptado pela tatuadora Carol Munhoz.

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A quarta e última tatuagem (que na verdade é a segunda na ordem cronológica) é uma tatuagem da amizade. ❤

Milagrosamente entramos todas em acordo, e decidimos fazer uma flecha. 🙂

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Instagram dos tatuadores:

Livro: Gabriel Bilotta
Frase e Flecha: Marcio Mumia
Ratinho: Carol Munhoz

Até mais! ❤

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Livro: Galveston

O livro de hoje é Galveston, lançamento da Intrínseca, escrito por Nic Pizzolatto. O autor é conhecido por ter criado a série de tv True Detective que, aliás, eu super indico! E foi por amor a essa série que o livro chamou a minha atenção.

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Na primeira temporada da série dois detetives (Matthew McConaughey e Woody Harrelson) investigam vários assassinatos relacionados a rituais satânicos e, paralelamente, são investigados, anos depois, por esses mesmos crimes.

A segunda temporada também é de investigação, mas com um contexto mais político. São três detetives principais (Colin Farrell, Rachel McAdams e Taylor Kitsch) que são perseguidos diariamente por seus problemas pessoais. Achei que essa temporada foi extremamente enrolada, e o que salvou foram os diálogos maravilhosos e o desenvolvimento dos personagens. Mas não chega aos pés da primeira temporada.

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Agora, de volta ao livro.

A história é bem simples. O personagem principal, Roy Cody, é um matador de aluguel com câncer, que escapa de ser assassinado em uma emboscada e foge com outra sobrevivente da cena do crime, a jovem prostituta Rocky. Juntos eles vão para Galveston, uma cidade litorânea no Texas, e Roy se torna cada vez mais nostálgico e protetor em relação à menina. Note que eu não disse que ele se torna uma pessoa melhor. Bem no estilo do autor, a verdade é que ninguém no livro presta, cada um por uma razão diferente. A trama se passa, em geral, em motéis e bares, com descrições cruas e nada suaves, e repleta de cenas violentas.

Muitas vezes identificamos o clima da série True Detective no livro, por isso achei importante comentá-la. Seja pela presença de prostitutas, paisagens características norte-americanas, ou até uma cena bem específica da série, quando um dos detetives (McConaughey ❤ ) faz bonequinhos com a lata de cerveja, ação que é repetida por Roy.

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“Em um ponto de ônibus, um velho barbudo bebia alguma coisa dentro de um saco de papel e chorava. Ele me disse que estava feliz. Havia saído da prisão naquele dia.

Quando voltei para o meu quarto, estava tão silencioso lá dentro que o tique-taque do despertador parecia reverberar, e aquele pequeno som me dizia que era tarde, mais tarde, e mais tarde ainda.

O tempo passara. Eu estava velho.”

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Nic Pizzolatto nos descreve perfeitamente as cenas. Quase podemos enxergar as paisagens e ambientes. Mas as vezes suas descrições ficam um pouco forçadas. Salvo por poucas passagens, Galveston é um livro mediano.

Um história simples, de leitura fácil (não confunda com leitura leve!), com um ponto interessante aqui e ali.

Nota: 6,5

Opiniões sobre o livro são bem-vindas!
Até mais 🙂

 

O Velho e o Mar

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Na verdade eu meio que deveria estar falando de Mrs Dalloway, mas confesso que estava tão animada pra começar O Velho e o Mar que acabei largando o outro por um tempinho. :S

Bem, eu fiquei pensando em como seria uma boa maneira de fazer esse post ficar bonitinho, e assim resolvi juntar umas imagens com trechos do livro que eu gostei!

História:

O velho pescador Santiago estava sem conseguir peixes há mais de 80 dias, mas não havia perdido a esperança. Então um dia, precisamente no 85º dia, ele decide que é seu dia de sorte e sai de novo para pescar. A maior parte do livro se passa nessa pesca, exatamente como o título sugere, apenas com o velho e o mar. Ele conversa consigo, sofre em alguns momentos, mas nunca desiste de voltar para a casa com algum resultado.

Acho que o impressionante do livro é como o Hemingway consegue fazer essa história ficar emocionante! O livro realmente prende, e não sei se eu que sou sensível demais, mas em alguns momentos até fiquei emocionada. Eu esperava encontrar diálogos profundos e talvez até encarar uma leitura um pouco complicada, mas a história é bonita e fácil de ler.

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*SPOILER*

Sim! Ele consegue algum peixe! E na verdade ele consegue um peixe maior que o barco depois de 3 dias de muito esforço. “MEU DEUS ELE VAI CONSEGUIR PEGAR O PEIXE??? E AGORA?? AI O VELHO VAI MORRER, NÃO MATA O VELHO POR FAVOR” (essa sou eu lendo o livro e sofrendo os efeitos de muitas temporadas de Game of Thrones). Mas é claro que não é tão simples assim levar o peixe de volta pra Havana. O peixe estava sangrando, então vieram vários tubarões atrás dele. “O VELHO VAI MORRER”. Mas não morre não gente, ele chega inteirinho. Só não posso dizer o mesmo do peixão, que foi todo comido pelos tubarões, e só sobrou o rabo, a espinha e a cabeça pra contar história.

*FIM DO SPOILER*

Eu amei o livro e super indico pra vocês! Aliás, ele recebeu um Prêmio Pulitzer em 1953, e no ano seguinte Hemingway  ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
A ilustração dessa última imagem aqui embaixo é da artista Jaime Heiden.
A do homem no barco eu não sei de onde é, mas podem comentar se souberem. 🙂

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Adiós!

Um antropólogo em Marte

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O post de hoje é sobre uma das pessoas que eu mais admiro, e que é um exemplo de superação. Minha história com ela começou em 2007, se não me engano, em uma bienal do livro no estande da Cia. Das Letras.  No meio de tantos livros, foi este que me chamou atenção, e mal sabia eu que estaria prestes a conhecer uma das minhas maiores heroínas.

Foi assim, por puro acaso, que o livro “Uma menina estranha” entrou em minha vida.

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Temple Grandin, hoje com 66 anos, é uma americana (Boston, Massachusetts) um pouco diferente: Ela é autista, PhD em Zoologia, revolucionária e, acima de tudo, guerreira.

“Uma menina estranha” é a sua autobiografia. Escrito em 1986, o livro mostra a sua trajetória, os seus desafios e como ela conseguiu atravessar cada “porta” de sua vida. Temple terminou a escola, conseguiu entrar na universidade e concluir o curso de psicologia, fez mestrado em zoologia e, hoje em dia, é PhD. Ela criou formas de lidar com a falta de contato com outras pessoas e superar as barreiras do autismo.

Mesmo quando recomendada a internação em uma instituição psiquiátrica, a mãe de Temple insistiu em dar a ela uma educação formal. E foi assim, encontrando pessoas maravilhosas em seu caminho –como um dos seus professores de ciências- e com muita luta, que Temple conquistou esse reconhecimento.  Ela entrou na lista das 100 pessoas mais influentes na categoria dos “Heróis” da revista Time em 2010, recebeu uma “Double Helix Medal” em 2011, e  “honorary degrees” (Honoris causa) de várias universidades.

Em 2010 foi lançado o filme “Temple Grandin”, dirigido por Mick Jackson e produzido por Scott Ferguson, que foi nominado a 15 Emmys e recebeu 5 prêmios (além da aprovação de elogios de Temple). A atriz Claire Dane interpretou de forma brilhante a personagem principal e, inclusive, ganhou o Emmy Award e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em “Filme ou Minissérie para TV”.

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Temple, além de ter um papel importantíssimo na pesquisa sobre autismo e apoio a famílias com autistas, é altamente respeitada no ramo de manejo pecuário. Ela projeta equipamentos e instalações para a pecuária que previnem que o animal saiba que será abatido evitando, assim, que os animais sofram (e melhorando a qualidade da carne).

PS: Esse post fala apenas um pouco sobre essa grande mulher, por isso eu aconselho que vejam o filme, leiam o livro e pesquisem mais sobre a vida dela, e assistam esse TED que ela apresentou em 2010 🙂

Temple também escreveu vários outros livros depois dessa primeira biografia e apareceu em documentários e  entrevistas.

OBS: O título do post “Um antropólogo em Marte” é uma menção a uma frase de Temple Grandin em uma conversa com o neurologista Oliver Sacks, na qual ela diz que na maior parte do tempo se sente como um antropólogo em Marte.