Um antropólogo em Marte

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O post de hoje é sobre uma das pessoas que eu mais admiro, e que é um exemplo de superação. Minha história com ela começou em 2007, se não me engano, em uma bienal do livro no estande da Cia. Das Letras.  No meio de tantos livros, foi este que me chamou atenção, e mal sabia eu que estaria prestes a conhecer uma das minhas maiores heroínas.

Foi assim, por puro acaso, que o livro “Uma menina estranha” entrou em minha vida.

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Temple Grandin, hoje com 66 anos, é uma americana (Boston, Massachusetts) um pouco diferente: Ela é autista, PhD em Zoologia, revolucionária e, acima de tudo, guerreira.

“Uma menina estranha” é a sua autobiografia. Escrito em 1986, o livro mostra a sua trajetória, os seus desafios e como ela conseguiu atravessar cada “porta” de sua vida. Temple terminou a escola, conseguiu entrar na universidade e concluir o curso de psicologia, fez mestrado em zoologia e, hoje em dia, é PhD. Ela criou formas de lidar com a falta de contato com outras pessoas e superar as barreiras do autismo.

Mesmo quando recomendada a internação em uma instituição psiquiátrica, a mãe de Temple insistiu em dar a ela uma educação formal. E foi assim, encontrando pessoas maravilhosas em seu caminho –como um dos seus professores de ciências- e com muita luta, que Temple conquistou esse reconhecimento.  Ela entrou na lista das 100 pessoas mais influentes na categoria dos “Heróis” da revista Time em 2010, recebeu uma “Double Helix Medal” em 2011, e  “honorary degrees” (Honoris causa) de várias universidades.

Em 2010 foi lançado o filme “Temple Grandin”, dirigido por Mick Jackson e produzido por Scott Ferguson, que foi nominado a 15 Emmys e recebeu 5 prêmios (além da aprovação de elogios de Temple). A atriz Claire Dane interpretou de forma brilhante a personagem principal e, inclusive, ganhou o Emmy Award e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em “Filme ou Minissérie para TV”.

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Temple, além de ter um papel importantíssimo na pesquisa sobre autismo e apoio a famílias com autistas, é altamente respeitada no ramo de manejo pecuário. Ela projeta equipamentos e instalações para a pecuária que previnem que o animal saiba que será abatido evitando, assim, que os animais sofram (e melhorando a qualidade da carne).

PS: Esse post fala apenas um pouco sobre essa grande mulher, por isso eu aconselho que vejam o filme, leiam o livro e pesquisem mais sobre a vida dela, e assistam esse TED que ela apresentou em 2010 🙂

Temple também escreveu vários outros livros depois dessa primeira biografia e apareceu em documentários e  entrevistas.

OBS: O título do post “Um antropólogo em Marte” é uma menção a uma frase de Temple Grandin em uma conversa com o neurologista Oliver Sacks, na qual ela diz que na maior parte do tempo se sente como um antropólogo em Marte.

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2 comentários sobre “Um antropólogo em Marte

  1. Temple Grandin é maravilhosa mesmo e uma figura muito importante para a conscientização pública dos Aspergers e autistas.
    “Antropólogo em Marte” também é o nome de um dos livros de casos clínicos do Oliver Sacks, muito por bom sinal.

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